Após arrumarem as malas no bagageiro do ônibus, logo começou a confusão:
- Ai que vexame! Reclamou a mala importada; ficar junto com essa turma suja e sem marca!
- Qual é dona mala! Aproveite a viagem, vamos conversar, conte sua história. Afinal estamos viajando juntas. Eu, por exemplo, não tenho marca, mas sou muito resistente e tenho preferência por carregar o que aquece, acolhe, sustenta – disse o saco de viagem.
- Oba! – exclamou a mochila – posso contar muitas histórias emocionantes. Já vivi muitas aventuras, sou companheira de toda hora na escola, no passeio. Gosto mesmo é de ficar cheia de coisas úteis. Minha tristeza é ficar no armário.
- Eu é que não gosto dessa história de me abrir, porque, dependendo de quem me vê, fico enrascada – disse a mala de contrabando. – Tenho medo de revelar o que carrego, pois nem todo o mundo tem sorte de carregar coisas boas. Quando a gente não sabe escolher, acaba carregando umas porcarias... gostaria de carrear outras coisas.
- Cale a boca – disse a maleta de dinheiro. Toda trancada. – se você contar o que carrega, eu levo prejuízo, prefiro você calada, ajudando-me a engordar e a ganhar “valor”.
- Espere aí – interveio a trouxa do retirante -, como é que você pode falar de valor?! Não conhece tudo o que os outros carregam. Eu não carrego dinheiro, mas me sinto feliz quando posso repartir as coisas que carrego, sobretudo quando se trata de bens essenciais à vida. O lugar de onde eu venho me ensinou que nega-los gera a morte. Por isso aprendi a desamarrar rapidamente meus nós e estar sempre à serviço. De que me adianta ficar pesada, acumular se desse jeito não garanto a vida?
- Eu já viajei muito – disse a mala de viagem -, só carrego coisas caras, mas às vezes bate uma tristeza quando ninguém faz nada com elas e perdem o sentido de existir, ficando mofadas...
- E às vezes nos valorizam pelo tamanho, pela aparência e se esquecem de ver o que carregamos – disse a pochete. – Embora não tenha muito, não nego o que tenho, por isso estou sempre à mão, gosto de ser útil e guardar os segredos...
- É importante saber separar as coisas, disse a pasta -, selecionar o que é bom e guardar com carinho o que é importante.
- Começo a entender vocês: quem junta coisa demais e não gosta de repartir, pesa demais para os outros, torna-se incômoda e perde até o sentido da vida – concluiu a mala importada.
- Para viajar juntos, temos que aprender a partilhar, pois só assim crescemos e ganhamos experiência para chegar ao nosso destino – disse a mochila.
- Mas do que chegar, descobrimos que o importante é caminhar confiante na vida e viver feliz.
FAÇA UMA ANÁLISE DE SUA PERSONALIDADE E SEU COMPORTAMENTO, E VEJA COM QUAL DESSAS MALAS VOCÊ SE PARECE. (POR QUÊ?)
Adailton Altoé e Aparecida Debona, do Livro FÁBULAS E PARÁBOLAS, Paulus 1999.
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